terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Espelho dos Encantados - Inicio

(O contador de histórias vestido de branco, sentado num trapiche com chapéu cobrindo o rosto. Som das águas corrente. Pega o violão e cantar)

Música - Uma noite / saía de canoa pelo rio
Do norte soprava um vento frio
E no silêncio de um remanso a gente ouviu
Um choro triste
Com um quê de solidão
De partiu meu coração
Por que choram as águas?
Por que choram as águas?
Fiquei a me perguntar
E o canoeiro me contou uma história.

Musico - (Põe o violão de lado e falar) E começou mais ou menos assim:

(Black-Out. Som de pássaros e água em movimento)

Voz em off - Sabe moço! A muito tempo vivia nessas águas, um jovem nativo, conhecido como o líder dos encantados. Um dia ele estava a beira do magnifico espelho fazendo os preparativos para o período dos enamorados das águas doces, quando a apareceram por lá a princesa Uau-mari e sua amiga, mesmo confuso diante da inesperada visita, ele as recebeu com um sorriso dizendo:
O encantado – Que perfume maravilhoso! Quem são as inspiradoras belezas que refletem nos encantos do meu espelho?
A princesa - Sou Uau-mari, a princesa das amazonas, e está é minha amiga Uau-lú.
O encantado - Ouviste-me primavera! São as flores mais belas! Finalmente enviastes a mim.
A princesa - E quem é você?
O encantado - Não é uma pergunta muito fácil de responder, Princesa. Mas... Entre outras coisas, sou conhecido como o líder dos encantados.
A princesa - Então és tu o irresistível conquistador de quem nos falam as nativas!... O apaixonante inspirador dos encantados das águas doces?
O encantado - Acho que estamos fora do período dos encontros sagrados, princesa!
A Princesa - Estamos! Majestoso.
O encantado - Sabe que é proibido as nativas passearem deste lado do rio, fora do período!
A princesa - Não és o inconquistável! Por um acaso sentis ameaçado com nossas frágeis presenças?
O encantado - Pelo contrário! É uma surpresa agradável; é um prazer ter a luz dos seus belos olhos iluminando-me no aconchego deste espelho.
A princesa – Então é em ti que os encantados buscam inspirações para os seus maravilhosos galanteios!
O encantado – Não minha pequena. As fontes de nossas inspirações estão agora diante de mim. Mas diga-me! O que as traz aqui, fora do período sagrado?
A princesa - A curiosidade de encontrar um encantado, e ver como se comportam antes do sagrado período dos acasalamentos.
O encantado - Não precisava vir até aqui, princesa! Vossa rainha podia lhe dá essa informação.
A princesa – (Demonstrando certa surpresa) Não me diga!
O encantado – A beleza que enfeita o teu castelo tem detalhes que as nativas desconhecem, minha princesa. Sabe como nos dá prazer sem infringir os compromissos sagrados de nossas tribos. Pergunte a ela o que fazer com um encantado fora do período sagrado que ela dirá a você. E eu terei prazer em dividir com você os pormenores prazerosos permitidos aos encantados nos leitos do espelho sagrado.
A princesa – Eu gosto de ver as coisas com os meus próprios olhos, majestoso! Acho que essa é uma boa oportunidade para mostrar a minha amiga Uau-lú, que os encantados não são tão elegantes como ela imagina. Que são vulneráveis aos nossos encantos femininos, que não teem nada de inconquistáveis, como decantam os narradores de suas proezas poéticas amorosas.
O encantado - Me pareces segura do que estais dizendo!
A princesa - Estou majestoso!
O encantado - Em que te apóias para fazer tal afirmação?
A princesa - Em alguns inusitados acontecimentos que nos envolve, meu venerável líder.
O encantado – Posso saber ao que te referes?
A princesa - Por exemplo, já te vi na beira do rio, me flertando de forma discreta e desejosa, fora do período sagrado.
O encantado - Pois bem! Estamos num lugar mágico. Aproveite! És livre para dirimir duvidas, relembrar eventos significativos que forem do seu agrado. Vou sentir-me honrado se puder esclarecer alguma coisa que por ventura tenha posto em duvida o comportamento dos encantados.
A princesa - E como podes fazer isso?
O encantado – Passeia um pouco nos mistérios do meu espelho. Mergulhe comigo nas águas sagradas que compartilharemos do que desejares. Garanto que posso realizar o mais amável dos teus sonhos.
A Amiga – (Pegando na mão da princesa) Não faça isso Princesa! Ele vai encantá-la!
A Princesa – (virando-se para a amiga) Não há o que temer Uau-lú. Eu sei lidar com esses românticos bajuladores de beira de rio.(Soltando a mão da amiga)
O encantado – Então, viva o reino das águas! Temos uma deusa nos visitando.
A princesa - Viva! E espero que os mistérios do teu espelho, espelhe as verdades intimas que põem em duvida tua fama, de respeitoso majestoso.
A Amiga - Não vá se arriscar, princesa! Tu não conhece esse jovem. Existem histórias muito estranhas a respeito deste espelho.
O Encantado – (Virando-se para amiga sorrindo) Estou encantado! Tens uma sábia prudente em tua companhia. (Virando se para a princesa) Mas és livre como a brisa que embala as flores. Será um prazer vê-la passeando na beleza dos meus encantos.
A Amiga – Não dê ouvido a ele, princesa! Vamos embora, não temos nada para fazer aqui!
O Encantado – (Olhando para a princesa) Escuto a voz da razão ao teu lado... Mas sinto-me envaidecido por propor-me a cumplicidade de partilhar suas nobres lembranças comigo, alteza.
A princesa – (com um sorriso no rosto) Está vendo Uau-lú ! Os encantados são todos iguais, usam sempre essa postura romântica insinuante para nos agradar. O majestoso não sabe quais momentos pretendo relembra-lo. Se soubesse, com certeza mudaria essa pose de irresistível conquistador!
O Encantado – (Sorrindo) Pelo sorriso em seu rosto, acredito que tens lembranças agradáveis da minha pessoa. Será um prazer ouvi-la.
A princesa - O prazer será todo meu, majestoso.
O encantado – Então, não se acanhe! Quero sentir-me acariciado por tuas doces recordações. Envolvido por esse manto de estrelas que brilham em teus olhos quando sorri.
A amiga – (Tapando os ouvidos) Por favor, princesa! Não fomos trazidas aqui pelas nossas pernas, foi à força dos encantos dele que nos atrai até aqui.
A princesa – Não te preocupes com isso Uau-lú, eu sei onde estou pisando. (Virando-se para o jovem líder) E então, meu jovem encantado! Sou livre para pormenorizar, ou guardo em segredo certos detalhes reveladores dos teus rotineiros flertes?
O encantado - Antes de qualquer coisa, minha princesa. É bom que saibas que para cada encantado que nasce, nasce uma deusa encantada em tua tribo, que já vem predestinada a atraí-lo; desperta-lo para o mundo mágico dos relacionamentos amorosos. Para despertar curiosidades. Curiosidades que vem do impulso instintivo infantil que existe dentro de cada um de nós. Que é o mesmo instinto que fez com que de vez em quando soltasse tuas saudáveis meninices sedutoras para deleite desse jovem encantado.
A princesa – Interessante tuas providenciais precauções discursiva, majestoso! Pelo jeito sabes do que vamos falar. E com certeza essa aparente inocência angelical irá por água abaixo diante dos fatos singulares que nos envolve.
O encantado – Está se referindo as tuas graciosas meninices que me levaram a perceber as particularidades sutis que fazem parte do encantado universo feminino. Venha! Mergulhe nos mistérios do meu espelho! Garanto que ficaras satisfeita com o que te espera.
Amiga – (Um pouco nervosa) Princesa! Por favor, não! Ele vai encantá-la! Conheço as artimanhas dos encantados como a palma de minhas mãos.
A princesa – Calma Uau-lu! Quero saber em que particularidades dos nossos universos caminha o nosso jovem encantado.
O encantado - As fêmeas têm seus dengos, minha princesa. Suas manhas, teem por hábito nos chamar a atenção executando certas encenações exibicionistas, aparentemente despretensiosas. Que me fizeram descobrir as maravilhosas particularidades de que lhe falo.
A princesa - Por exemplo?
O encantado - Por exemplo, descobrir que o ser feminino já nasce com o divino dom de embeleza-se, que sentem prazer em sentirem-se atraentes, desejadas. E enfeita-se é um de seus hábitos prediletos; um ritual sagrado que realizam diariamente; adoram vesti-se de forma elegante e confortável, buscam harmonias de tons primaveris, assim como fazem as árvores que brotam seus botões de flores, recheando de beleza e perfumes os ambientes por onde se movimentam com esmero.
A princesa - Tenho que admitir! Tens uma lábia perigosamente envolvente, majestoso. Mas navegas num trecho de muitos remansos, e mesmo que sejas o e irresistível conquistador do reino das águas, sabes que podes ficar preso num desses remansos.
O encantado - É sempre um prazer rodopiar... Balançar nos banzeiros de aventuras que nos proporcionam os misteriosos rios femininos, são adoráveis as sutilezas dos toques macios que nos acariciam. Agradeço aos céus pelas preciosas correntezas que naveguei nesse caminho.
A princesa - Gabar-se como se nunca tivesse sido visgado por uma bela fêmea. Mas não podes negar que já atrai os teus olhares desejosos, buscando contemplar minhas dadivosas formas femininas, majestoso! Tu sabes onde moro!
O encantado – Eu sei. E faltaria com a verdade se não dissesse que são incomparáveis as belezuras que te compõem.
A princesa – (Tom irônico sorrindo) É mesmo?
O encantado – Sim!Tens um magnetismo particularmente especial, princesa. Teus lábios são como deliciosas fatias de frutas num convidativo e tentador pomar de delicias; és a porção do mais puro mel que tenho prazer de saborear em meus solitários sonhos. Claro que já atraistes meus olhares com teus movimento elegantes. Com essa dança de cisne num espelho d'agua estrelado, que tu tens.
A princesa - Negas que já me viu em momentos um tanto mais íntimos!?
O encantado – O que queres dizer, com “um tanto mais íntimos?
A amiga – (Se dirigindo até a princesa a pegando pelo braço) Princesa, pare com isso. Precisamos ir embora. Pelo amor que tens aos nossos sagrados lendários. Não faça isso! Vamos embora daqui.
A princesa - (Sorrindo virando se para a amiga e tirando a mão com a qual ela segura seu braço) Não tenho as fragilidades sentimentais de nossas nativas, Uau-lú. Estou aqui para desmistificar essa imagem de inabalável encantador do nosso majestoso encantado. E então, meu nobre líder!? Negas que já me viu um tanto quanto desprotegida de minhas vestes?
O encantado – Não. Eu não nego que tive alguns flertes acidentais de cenas belíssimas compostas por você; cenas que sempre vão existir, enquanto existirem fêmeas que se especializam em conduzir com sutileza e maestria, deliciosos espetáculos de seduções, que diga-se de passagem, são adoráveis quando recheadas por tuas belíssimas formas.
A princesa - Ao que te referes?
O encantado – A alguns dos detalhes que tens, que me levaram aos compartimentos secretos e confortáveis dos meus aposentos de fantasias, princesa.
A princesa – Posso saber do que estais falando!?
O encantado - É impossível negar que és saborosamente tentadora quando solta essa criança crescida que existe dentro de ti, buscando atrair a criança crescida e curiosa que existe dentro de mim. Disponho aos teus prazeres, todas as delicias que fizestes jorrar com teus espetáculos provocantes. Posso satisfazer os mais sublimes dos teus desejos.
A princesa - Tem um tom meio suspeito no que falas. Mas será um prazer te sentir me saboreando no aconchego dos teus sonhos. Se é que isso é possível nesse lugar.
O encantado – Aqui tudo é possível.Minha, princesa.
A amiga – Ah! Pelos nossos lendários, princesa. Não faça isso, será o fim. A rainha não vai me perdoa por ter vindo aqui com você.
O encantado - Dentro dos encantos desse espelho, os desejos mais ardentes não podem ser reprimidos.
A princesa - Que bom! Então vamos ver o quanto resisti aos meus dotes de criança tentadora.
A Amiga - Ah! Minha mãe das águas!! O que foi que eu fiz! Por favor, princesa! Vamos embora.
O encantado – É bom que saibas que algumas de tuas peças intimas podem ser expostas neste ritual sentimental, princesa.
Amiga – Princesa! Por favor, não! Não foi pra isso que viemos aqui. Majestoso nos perdoe a invasão do ambiente sagrado. Não faça nada que possa deixar nossa princesa em situação embaraçosa. Ela é só uma criança crescida, brincalhona.
A princesa – (Se voltando para sua amiga) Eu sei me defender Uau-lu! E para o seu governo, eu sei o que estou fazendo. No momento não preciso do teu nervosismo. (Se voltando para o jovem encantado) Quero lhe fazer uma perguntinha, majestoso!
O encantado - Quantas quiseres.
A princesa - Lembras da janela da minha casa na beira do riacho?
O encantado - Sim, e jamais poderia esquecer. Tenho boas e maravilhosas lembranças de tudo que vi através dela.
A princesa - Satisfaça a minha curiosidade. Me responda com sinceridade! Algum dia já me viu vestida em trajes menores, ou vestida com algumas de minhas confortáveis peças transparente? (Sorrindo) Seja sincero!
O encantado - Claro que sim! E estou sendo sincero. Enebria-me a pureza da vontade que enfeitas com esse sorriso que usas para esconder tuas intimas intenções. Estais procurando o prazer que toda fêmea procura. És como um bichinho manhoso ronronando buscando um colo para sonhar acordada, princesa. Quero vê-la nadando livre nos sonhos; flutuando no mais profundo dos teus sentimentos, vivenciando a independência única do seu ser; os momentos de brilho solitário de tua estrela, e sem sentimento de culpa, usar do direito de sentir prazer em teu universo interior, onde ninguém pode alcança-la. Não tenha medo, aqui não traímos e nem somos traídos. Existimos e não existimos ao mesmo tempo, somos encantados sinais extra-sensórios ocupando corpos, vagando no espaço cósmico dos relacionamentos. Sei que estais disposta a me conquistar; a quebrar meu voto sagrado antes do período de acasalamento. Posso ver isso em teus olhos!
A princesa - Sim, Estou disposta a romper com certos costumes de nossas tribos, e te ofereço os meus mimos, que sei que tanto desejas. Pois, se assim não fosse, não me buscaria com teus olhares discretos, e evitaria usar esses maravilhosos galanteios fora do período sagrado.
O encantado - Há certas normas que não podemos violar, princesa. E encantar é uma delas, faz parte do meu mundo. Quero que saiba que todos os nossos movimentos e diálogos na presença desse espelho, um dia serão testemunhados por todas tribos. Espero esteja ciente disto?
A princesa – Estou!
O encantado - E Não te sentis intimidada ?
A princesa - Pelo contrário. Assim esclareceremos as duvidas quanto a sinceridade e a originalidade da prepotência encantadora que tem o nosso nobre encantado, e todos aqueles que se espelham em vossa alteza. Todos verão que os encantados não são invulneráveis aos nossos encantos fora do período de acasalamento, que fora desse período continuam com seus desejos ardentes, e podem até acasalar.
O encantado – Que seja como você quiser. É pra isso que sou líder. E para começar, peço que vá até a outra margem do espelho. Já já nos encontramos e veremos até onde vão as vossas irredutíveis certezas.
A princesa se afasta, caminhando pela beira do espelho d'gua.

O Espelho dos Encantados - parte II

A Amiga – (Nervosa) Minha mãe das águas! Você perdeu o juízo! Não vá mergulhar nessas nas águas!
A princesa – (falando para amiga) Não se preocupe Uau-lú. E por favor, me espere aqui. E tome cuidado com ele!
O encantado – Não precisa ter cuidados, princesa. Não faço mal a um mosquito.
A princesa – (sorrindo) Na certa, por que são muito pequenos para cavalga-los, majestoso.
A princesa segue. O jovem líder convida Uau-lú para senta-se a beira do espelho.
O encantado – (Se aproximando de Uau-lú) Me parece um pouco tensa! O que te preocupa?
A Amiga – Eu realmente não sei. Não conhecemos este lugar. E o que a princesa está fazendo, não me perece certo. Só viemos dá um passeio desse lado do rio.
O encantado – Já teve contato com algum encantado?
A Amiga – Conheci alguns de vocês. Acho que é por isso que você não me parece muito estranho.
O encantado - O que achas dos encantados?
A amiga - Gosto do romantismo de vocês; das poesias oportunas, desse dom romântico de nos fazer sonhar acordada. Mas sempre evitei ter certos prazeres.
O encantado – Que prazeres?
A amiga – Tu sabes do que estou falando.
O encantado – Não! Eu não sei. Mas falas como se esses prazeres fossem algo desprezível.
A amiga – Existem coisas mais interessantes que eles, majestoso.
O encantado – Então diga-me que prazeres são esses, para que eu posso evitar de procura-los enquanto estiver em tua companhia.
A amiga – Oh! Quanta educação! Não se faças de bobo! Tu sabes as quais prazeres me refiro.
O encantado – Não a nada de errado em ter prazer, Uau-lú. Ter prazer é bom! Não concordas comigo?
A amiga – Mas é bom evitar certos prazeres, majestoso!
O encantado – Não há nada de errado em certos prazeres Uau-lú. São certas crenças que faz vê-los assim. O que dar Prazer, é, e sempre será prazeroso, independente das crenças que os reprimam. Censura-los não muda nada. O que dar prazer, será sempre um prazer; será sempre prazeroso! Não concorda!?
A amiga - Esta querendo confundir minha cabeça. Majestoso?
O encantado – Não minha criança encantada! Mas... Vamos observa vossa princesa. Veja! Antes dela alcançar o outro lado do espelho, ela vai tocar o vestido nas águas da fonte da luz dos sonhos espelhados. E ai vamos vê um pouco do que ela gostaria de realizar e nos mostrar como mulher.
A amiga - Tem um certo cinismo na tua fala, ou é impressão minha?
O encantado - (sorrindo desconversando) Vamos observar nossa princesa, Uau-lú.

O vestido da princesa toca a água do espelho. Em meio a flashes de luzes coloridas Surgi uma nuvem de fumaça e a envolve. (Efeitos Sonoros) A princesa desaparece.
A amiga – Minha nossa! O que está acontecendo? O que aconteceu com a princesa?
O encantado – Calma, está tudo bem.
A amiga – Para onde foi a princesa?
O encantado – Tenha calma, ela volta já.
Depois de alguns instante a princesa ressurgi vestida como uma bela e sedutora nativa amazona. Movimentos provocantes. Em entorno dela, variadas peças de roupas vão surgindo e desaparecendo. Entre as peças se destaca uma toalha que gira soltando brilhos.
A amiga – Princesa, que roupas são essas? Isso não são trajes para se apresentar diante de quem não tens intimidades.
O encantado – Ela não te escutar.
A amiga – Pela luz dos lendários sagrados!! Você a encantou!
O encantado – Não. Isto é o corpo sensível dos desejos dela condensado, manifestando a imagem verdadeira dos comportamentos sensuais mais íntimos que ela reprime.
A amiga – Está não é a princesa!? Você tá brincando?
O encantado – Não estou. Bom ! É a princesa, e não é ao mesmo tempo.
A amiga – Você está me confundindo. Você a encantou!
O encantado - Não Uau-lú! Ela já estava encantada quando veio até aqui. Lembre-se que este é um ambiente encantado, não precisa se preocupar, ela não corre nem um risco.
A amiga – Você disse que ela já estava encantada quando veio pra cá!?
O encantado – Sim! E você também.
A amiga - Eu também? Como assim?
O encantado - Na certa você está encantada por algum jovem de nossa tribo, é por isso que você e ela estão aqui. Só as encantadas encontram esse caminho e conseguem entrar nesse lugar.
A amiga - Está dizendo que estou encantada por algum de vocês!? Ah! essa é boa!
O encantado - Negas?
A amiga - Deixa pra lá! O que me interessa é saber o que está acontecendo com a princesa. Eu me sinto responsável por ela.
O encantado - Ela vai encontrar alguém por quem se encantou, e realizar seus sonhos secretos. Não tem o que temer.
A amiga - E pelo o que ouvi vocês conversando, você deve fazer parte desses sonhos!
O encantado - Há detalhes que não convém fala no momento. Fique calma! E veja como é interessante o que acontece com as encantadas por aqui! Cada peça de tecido funciona como um arquivo de sentimentos, a princesa vai abri-los com as vibrações dos desejos que a trouxeram aqui. (Virando-se para a amiga)Alguns dos seus desejos também podem está presente nas imagens.
A amiga – Você está brincando!
O encantado - Não estou! Cada peça de roupa acionam imagens intimas, lembranças solitárias fantasiosas. Vamos vê o que as peças de vossa princesa nos revelam.
A amiga - Eu não acredito no que estou ouvindo. Você está se divertindo com isso!
O encantado – (sorrindo) Faz Parte dos nossos exercícios sagrados.
A amiga - Exercícios sagrados!? Eu acho que isso tem outro nome!
A jovem princesa estende a mão pega uma peça de roupa transparentes e acaricia.
O encantado – Vamos ver porque ela escolheu esta peça.
A Amiga – Você acha isso certo?
O encantado – Do que estais falando?
A amiga - Entrar assim na intimidade das pessoas, sem permissão?
O encantado – E o que você acha que fizeram quando entraram sem aviso nesse santuário?
A amiga - Mas o mundo não vai acabar por causa disso!
O encantado - Claro que não! Mas este é o berço dos encantados. É aqui que exercitamos e aperfeiçoamos a resistência aos poderes de seduções femininas; estudamos as sutilizas e os artifícios das fêmeas de tua tribo. E nada melhor do que te-las de corpo presente para exercitar essa resistência.
Na superfície do espelho, a princesa Uau-mari sorri, e dirigi-se a alguém que está invisível aos olhos do jovem líder e da nativa Uau-lú.
A princesa - (movimentando sensualmente) Estou curiosa! O que te lembra essa sedosa peça do meu vestuário, encantado?
A amiga - Nossa!!!
O encantado – (Se dirigindo a Uau-lú) Qualquer peça de roupa; qualquer fio de cabelo banhado pelas as águas dos sonhos, refletem o que existe de mais sensual na fonte de onde veio a peça. É assim que o espelho nos revela os primores femininos que existem em tua tribo, é assim que selecionamos esses primores e depois buscamos nos relacionar com eles.
A amiga – Nossa! Então é bom eu ter cuidado quando lavar roupas na beira do rio!
O encantado –(Sorrindo)E quando estiver tomando banho também. Principalmente se tiver Boto nadando por perto. Mas no seu caso, (SORRINDO) eu diria que é um pouco tarde para tomar tal providência. Mas... Vamos ver a nossa princesa!
(black-out) Na superfície do espelho são projetadas imagens produzidas pelas lembranças da princesa.
'É noite de luar, o jovem encantado sai do leito do riacho e vai sentar no barranco para observa as estrelas refletindo nas águas. Escuta-se um som de festa ao longe. É acesa uma lamparina na casa de Uau-mari, do outro lado do riacho. Chamado a sua atenção. Aparece a sombra da princesa se movimentando dentro de casa. Na silhueta na parede dá pra ver que ela está trocando de roupa. Veste um vestido curtíssimo (a peça que ela acariciava) Dá para ver os contornos de suas generosas curvas femininas'.

O Espelho dos Encantados - parte III

A amiga - (Suspira) huum! Que coisa interessante! Imagino o que se passa na tua cabeça. Sou capaz de adivinhar os teus pensamentos, olhando essas coisas!
O encantado – É mesmo? E como pode ter certeza disso?
A amiga - Intuição feminina, majestoso.
Uau-mari anda pelo quarto. Desaparece e ressurgi na porta atrás da casa, deixando a vista suas generosas curvas através do tecido transparente. Pega algumas coisas para lavar, e fica por ali cantando e se movimentando a luz do luar, expondo a beleza escultural sedutora do seu corpo.
A amiga – (sorrindo) Puxa! Esse espelho é muito interessante.
O encantado - Você ainda não viu nada.
A amiga - (Virando se para o encantado e sorrindo) Acho que estou entendendo o que a princesa quis dizer, quando disse que vocês não são invulnerável aos encantos feminos fora do período sagrado.
O encantado – Não se precipite!
A amiga – Não estou me precipitando. Por um acaso, tu és capaz de negar que não te sentiu atraído por ela nesse instante?
O encantado – Atraído como?
A amiga - Vocês não resistem ver uma mulher assim! E vestida nesses trajes, duvido se não passou por tua cabeça ter essas maravilhosas curvas em teus braços! Ter tuas mãos afagando de leve as suas torneadas e carnudas coxas, os seus belos seios, os relevos recheado dos seus quadris.
O encantado - Estais fantasiando! Minha querida, encantada.
A amiga - Não mude de assunto. Vais negar isso? Se negas, não és tão másculo como imagino!
O encantado - Como posso negar a atração que exerce a beleza, Uau-lú!? Nem os deuses do Olímpo fariam tal coisa. Não existe nada nesse mundo a qual eu possa compara a beleza sedutora de vossa belíssima princesa. (Sorrindo. Olhando para Uau-lú) A não ser a você.
A amiga – Estais me cortejando! Veja lá o que estais fazendo!
O encantado – Não é nada demais Uau-lú. Tu és o luar da noite mais bela que já vi. E ver a princesa vestida assim, não quer dizer que tenho necessariamente que deseja-la. Mas não posso negar que é atraente, eu a admiro, assim como admiro as flores que desabrocham bocejando o frescor de seus hálitos nas margens do rio; fluindo apaziguadora como as energias aromáticas da tua presença.
A amiga – Entendi! Agora sou eu o alvo dos teus cortejos!
O encantado – É muito mais do que isso!
A amiga - (Tom irônico. Sorrindo) É mesmo!? Estou curiosa para saber!
O encantado - São lindas tuas faces entre os fios de teus cabelos. És uma dádiva divina em meu caminho. Te senti assim pertinho de mim, é como um óleo de refinadas fragrâncias despejando no meu ser; uma poção mágica me elevando ao um paraíso de sonhos; uma sinfonia de anjos bailando nos meus encantos, princesa Uau-lú.
A amiga – Hum!! Quanta inspiração! Mas não me venha com essas bajulações graciosas, tu sabe que eu não sou princesa!
O encantado - És muito mais que isso. És a mais doce entre todas as nativas que conheço!
A amiga - (sorrindo) O que me faz merecedora de tamanhos elogios, majestoso?
O encantado - Não sei se você sabe. Mas eu coleciono flores e também sou um bom colhedor de frutas. E tu és a fruta mais apetitosa convidativa que já vi. E como todo bom colhedor de frutas, eu sei que existe o momento certo para fazer a colheita.(Aproximando o seu rosto ao dela) É prazeroso espera que a fruta chegue ao explendor de sua doçura, para colhe-la e depois saboreá-la vagarosamente, apreciando cada pedacinho de seus gumos adocicando os lábios nas suas suculentas formas.

A amiga – (Afastando-se) Continuas usando teus maravilhosos artifícios para fugir do que quero saber. Agora estais me assediando com tuas comparações poéticas.
O encantado – (Aproximando-se dela)És uma macieira entre as árvores, Uau-lú. Não há como negar isso. Desejo apaixonadamente a tua sombra; os frutos dos teus beijo para adocicando minha alma; quero te sentir desfalecendo em meus braços, como o sol ao entardecer chamando as estrelas para ninar nossos sonhos.
A amiga – (Desviando o olhar dele. Virando-se na direção da princesa) Olhe pra a princesa!
O encantado - (falando ao seu ouvido) Por que tenho que olhar para ela?
A amiga - Estais me deixando encabulada com teus cortejos.
O encantado - Por que não olhas pra mim! E usa essa tua intuição feminina para vê o que quero de te!
A amiga - Olhe para princesa, que vais tirar essas bobagens da cabeça.
O encantado - Olha pra mim!
A amiga - (Afastando) Eu sei porque está evitando olhar para a princesa.
O encantado -(sorrindo) É Por que eu quero que saibas quem sou eu, Uau-lú!
A amiga - Não! É Por que não queres dá o braço a torcer,majestoso! Pois com certeza se olhar para a princesa, vai desejar o calor do seu corpo...(olhando para ele e Imitando a sua postura poética) assim como a terra deseja sol ao amanhecer;(voltando a sua posição normal) desejar os beijos de sua boca...(imitando a postura ) como a flor deseja o orvalho da manhã pra saciar a sua sede..
O encantado - (Aproximando o rosto ao dela) Sim! E quem sabe deslizar no suor do seu corpo com o vigor e a virilidade dos meus músculos, sentindo o sabor dos seus lábios saboreando minha língua.
A amiga – (Afastando-se) Sim!!! És capaz de negar isso?
O encantado - Estais envolvida demais com tudo isso, Uau-lú! Dá pra sentir o pulsar do teu corpo. Estais vibrando como uma melodia divina. Não acredito que o tempo te fez esquecer tanta coisa bonita.
A amiga - Do que estais falando?
O encantado - Não nota nada de familiar em mim?
A amiga - Eu acho que te conheço de algum lugar. E pra ser sincera, eu não sei por que estou aqui e nem por que entrei nessa aventura com a princesa.
O encantado – Quem sabe foi a esperança de rever alguém que a muito tempo você não vê !
A amiga - O amor é assim! Faz a gente fazer coisas que não imaginamos que fosse capaz de fazer.
O encantado - Eu sei. Mas tudo ao seu tempo. Agora vamos ver como se comporta a princesa. Mas lembre-se! Existem coisas a serem ditas entre nos.
Flashes de luzes. A princesa reaparece, pega a toalha brilhante e fala:
A princesa – Olhaste para está peça e ficastes um pouco encabulado. Posso saber porque?
A Amiga - Com quem ela está falando?
O encantado - Acho que agora vamos ter umas coisas excitantes por aqui.
A amiga – (Olhando para a princesa e logo em seguida para o encantado)Ela está falando contigo. Eu não estou me sentindo a vontade com essa situação. Você não é de pedra! Eu vou sair daqui, acho que vai sobrar pra mim!
O encantado – Calma Uau-lú! Não se preocupe comigo. Mas é bom se preocupa com você. A princesa está só sonhando.
A amiga - Não tente disfarçar! Seja lá o que for, eu tenho certeza que ela está falando você.
O encantado - Pode ser! Essa toalha tem algo que me atrai. Mas foi ela quem a escolheu.
A amiga – (sorrindo) Eu posso imaginar por que. Toalha, beira de rio, banho!
O encantado – É... Deve ter alguma coisa especial.
A amiga - Não tenho duvidas. As nativas conhecem tua fama, Majestoso!
O encantado - (Sorrindo) Nem tudo o que se ouve falar espelha a verdade, Uau-lú.
A superfície do grande espelho volta ser preenchido pelas imagens da princesa. Ela olha fixamente para a toalha brilhante(Escurece).
"É noite estrelada, a lua brilha. Uma luz de lamparina surge iluminando a janela aberta do quarto da princesa. Agora dá pra ver ela levantando da cama, vestido apenas uma sensualíssima calcinha, deixando a vista seus belos seios. Ela vai até um canto do quarto, pega a toalha, enrola ao seu corpo e sai para tomar banho, depois do banho, enxuga-se, e enrola novamente a toalha ao corpo. Introduzindo as mãos por baixo da toalha, retira a calcinha. Abaixa-se para junta alguma coisa, e demora um pouco nesta posição. Levanta-se e entra novamente em casa, vai até o quarto, pára diante da janela, retira a toalha e joga num canto, e permanece de pé por alguns instantes enfrente a janela, deixando todo o seu corpo salpicado de escamas liquidas, exposto a luminosidade do quarto. Veste um vestido leve e deitar-se novamente.(Escurece a cena)

A amiga – Nossa!
O encantado – Ainda tem mais!
A amiga - Como você sabe?
O encantado - (sorrindo)Intuição masculina!
(luz) Agora é dia. Uau-mari surgi na varanda enrolada na mesma toalha, pega a vassoura e começa a varrer. Movimenta a perna direita para frente, deixando entreaberta uma fresta na toalha, por onde é possível ver um pouco acima de suas coxas provocantes.
(Black-out. Som pássaros cantando)
(Luz)Uau-lú sai do banheiro atrás da casa. Pára um pouco. Olha para o alto de forma sorrateira. Abre um pouco a toalha para se defender de uma acidental ferroada de algum bichinho em suas coxas, expondo novamente o veludo macio de suas formas femininas. Vai até a porta atrás de sua casa e coloca a parte superior do corpo dentro de casa, com a intenção de fazer alguma coisa, que não dá ver exatamente o que é. Movimenta a perna direita para se apoiar. Abrindo novamente uma fresta na toalha, e fica assim por um bom tempo, expondo as belezas intimas. E sorrindo vira-se na direção onde está o jovem líder e pergunta:
A princesa – E então, o que senti ao apreciar detalhes tão íntimos de meu corpo?
A amiga – É uma boa pergunta! O que você responde?
O encantado – Tudo muito interessantes! Mas previsíveis.
A amiga – (sorrindo) Interessantes!? Previsíveis!? Você tá brincando!?
O encantado - Uau-lú, Normalmente é isso o que acontece quando vocês se deparam com alguém as espreitando de forma curiosa.
A amiga – (sorrindo) Espera um pouco ai! Não vá fugir da conversa. Eu quero saber o que você sentiu ao ver a princesa desta maneira!
O encantado - O que posso dizer, é que momentos assim costumam levar os envolvidos a um estado de excitação quase incontrolável. Muitas vezes os fazendo agir compulsivamente; a vencerem certos medos, chegando ao ponto de apelar para todos tipos de gestos provocantes propositais, tomando o devido cuidado para que esses gestos pareçam pequenos descuidos, que não foram feitos intencionalmente.
A amiga – Não pode esconder a verdade. Vocês são curiosos de nascença! E ficam babando quando se deparam com uma cena assim. Eu imagino como está você agora.
O encantado – Faz parte do nosso universo e principalmente do universo feminino. Comportamentos como esse da vossa princesa. Podem até parecerem estranhos, despudorado. Mas não existe nem um desvio de conduta nesses impulsos, nada que esteja fora dos padrões normais de comportamento de uma fêmea. São partes dos deliciosos jogos de sedução de nossas espécies.
A amiga - Estais querendo esconder o sol com a peneira!
O encantado - Não! Diga-me! Quem nunca passou por uma dessas aventuras telepáticas? Por uma dessas relações extra-sensorias acidentais? Quem nunca sentiu os prazeres que esses momentos são capazes de produzir? Porque acha que nascem as crianças?

O Espelho dos Encantados - parte IV

A amiga – Não vamos exagerar.
O encantado – Não estou exagerando. E digo mais! Algumas de vocês até se habituam a ter esse tipo de ralações sensuais; esses prazeres extra-sensórios, se especializam em produzirem esses maravilhosos espetáculos de sedução particulares. E até elegem seus observadores prediletos. E se excitam fingindo não vê-los. Veja a forma como se vestem! A preocupação que tem em realçar as partes que podem atrair os nossos olhares desejoso. Estou exagerando!?
A amiga - Vou insistir na pergunta, que teimas em não responder.
O encantado - O que queres que eu te responda, Uau-lú ?
A amiga - Não se faça de bobo!
O encantado – Estais querendo ouvir-me dizer que ao ver as belíssimas partes de vossa princesa, senti-me atraído por elas(Aproximando novamente de Uau-lú) Acho que vai te excitar ouvir-me dizer que desejei tocar as partes intimas dela, acaricia-las, senti-las em minhas mãos, beija-las com volúpia, ou quem sabe com meu músculo rígido, preenche-la ardorosamente até senti o morno do seu prazer jorrando deliciosamente em mim, olhando-a nos olhos, beijando-a calorosamente a boca?
A amiga - (Afastando) Você está me deixando sem jeito, com essa conversa!
O encantado – Não esqueça que eu sou um encantado, e como todo encantado, eu tenho a missão de encantar. Tenho minhas fantasias, sinto desejos, é desejando que os encantados se encantam, é nos encantando que buscamos encantar nossos encantos.
A amiga – És muito escorregadio, isso sim! Tenho certeza que faz isso com todas que aparecem na tua frente.
O encantado – Ah! Como é linda essa carência disfarçada que transforma em melodia em tua boca; É um riacho de leite e mel o desejo sutil que goteja dos teus lábios, minha meiga Uau-lú. Sinto-me rodeado pelo perfume envolvente de tuas inocentes acusações.(Aproximando mais rosto ao dela) Quem me dera envolver-me em tuas formosuras e bebericar o néctar dos desejos no cálice macio do teu umbigo; mordiscando delicadamente as pontinhas dos montes macios do teu colo; rodeando de suavidade teu pescoço, massageando os teus cabelos e me afogando em tua boca, ouvindo o ofegar de tuas narinas em meus ouvidos, nos sabores refinados de tuas especiarias de moça fogosa. (levando a mão a cabeça) Eu tiro o chapéu pra você, deusa dos meus mais puros encantos. O destino te trouxe a mim(Tirando o chapéu o jovem revela detalhes de seus cabelos ornamentados )O que te lembra isso!?
A amiga - Ah! Minha mãe das águas, é inconfundível o teu perfume, majestoso! A elegância dos teus cortejos, a beleza de tuas palavras. Pensei que nunca mais ia te ver. Então és tu!
O encantado - Sim, Uau-lú! Os ventos da primavera sopraram mais uma vez para mudar o meu destino.
A amiga - Ah! Como te procurei! Tu não sabes as noites de sono que perdi pensando em ti. Quantas noites sonhei nos acalanto dos teus braços. Acerta-me com tua lança guerreira, meu amado. Enche minhas entranhas mornas com néctar dos deuses. Eleva-me ao céu dos teus amores! Não sabes quanto tempo sonhei com esse momento. Finalmente te encontrei. Tu és tudo que mais quero nesta vida. Por que desaparecesse da forma como desapareceu? Porque sempre fugias? Porque nunca ficastes até o final das festas comigo? Me responda, meu amado... Por que me fez sofrer tanto?
O encantado - Calma! Uma pergunta de cada vez. Existem alguns mistérios em minha vida que não posso te revelar. Há certas coisas que as nativas não podem saber. E é melhor que seja assim.
A amiga - Tudo o que quero é que me diga, é porque você sumiu sem dar explicação?
O encantado - Porque uma mulher apaixonada só ouve o coração, Uau-lú. Vocês são sensíveis, e extremamente curiosas, são capazes de tudo para viverem seus amores. O teu amor estavas prestes a botar tudo a perder. És a chama ardente que adoro contemplar, mas não ouso tocar, temendo ser devorado pelo fogo abrasador do teu corpo. Foi uma surpresa maravilhosa vê-la entrar aqui acompanhando vossa princesa. Mas não podia deixar que me reconhecesse. Mas não resisti, e sei que isso pode sair muito caro mim.
A amiga – por que?
O encantado – Não posso te dizer.
A amiga - O que faço para que te rendas a mim, meu amado príncipe dos encantados. O que faço para que fiques comigo?
O encantado - Ah! Uau-lú! És a luz mais pura que encontrei no caminho. Mas por um desses acaso do destino, hoje é noite de lua, e poderemos acabar embarcando numa bela enrascada se você e a princesa não saírem daqui a tempo.
A Amiga - Como assim?
O encantado – Você e a princesa me tomaram um tempo precioso. A minha liderança está ameaçada com a presença de vocês . Ah! Vossa rainha continua a mesma. Com certeza foi ela quem mandou a princesa traze-la aqui, para eu a envolvesse com meus encantos e a possuísse de alguma forma. Isso faz parte dos rituais de iniciação das jovens nativas. A princesa tinha que ter vindo sozinha. Mas tudo bem!
A amiga - Eu não estou entendendo nada do que estais dizendo.

O encantado - Não importante agora, Uau-lú. Olhe!A princesa já está voltando. Eu tenho que traze-la a realidade e tira-la daqui.

A amiga - O que você vai fazer?
O encantado - Tenho que diminuir o estado de excitação sonhadora em que ela está.
A amiga - (Olhando desconfiada para o encantado) E como vais fazer isso?
O encantado - Não te preocupes. Existem formas de fazer isso. No momento, a melhor forma é começar pedindo a ela que devolva minhas estrelas!
A amiga - Tuas estrelas!? Desde quando tens estrelas?

O encantado - Vou usar isso para amenizar a ilusão dos desejos que ela está sentindo por mim. Não tenho tempo para explicar. Fique quieta, por favor!
A princesa se aproxima sorridente enrolada na toalha, demonstrando está muito feliz e com uma certa malicia no olhar caminha na direção do jovem líder.
A princesa - Que lugar maravilhoso! Estou me sentindo nas nuvens. Que pena que não fostes comigo, Uau-lú! O jovem líder é um sonho.
O encantado - (Demonstrando uma certa pressa) Me desculpe princesa! Eu não devia ter deixado vocês entrarem aqui. (virando-se para Uau-lú) Acho que não vai ser fácil tira-la daqui. A lua está subindo, vocês não tem que sair daqui.
A amiga - Porque essa pressa?
O encantado - Eu não posso dizer!
A Princesa - (Se aproximando do encantado com movimentos insinuantes) O que queres de mim! Peça o que quiseres, que te concederei.
O encantado - Devolva minhas estrelas, princesa!
A princesa - (sorrindo) Do estais falando, meu amado.
A amiga - Amado!? Que intimidade são essas?
O encantado - (virando-se para Uau-lú) Fique quieta, por favor!(Voltando-se para a princesa) Estou falando das minhas queridas estrelas, princesa!
A princesa - Se soubesse onde estão tuas estrelas, eu reviraria céus e terra para buscá-las e entrega-las em tuas mãos, só para sentir, nem que fosse por um infímo instante a tua pele rossando a minha.
O encantado - As minhas estrelas estão mais perto que imaginas, princesa.
A princesa – (Insinuante) Diga-me onde, que irei busca-las para ti.
A amiga - O que deu na princesa? Tem alguma coisa errada com ela.
O encantado - Tu não anda no coração dos outros, Uau-lú. Nem tudo que falamos expressa a vontade do nosso coração. Faça o que lhe pedi! Fique quieta! Ela está sonhando, eu tenho que acorda-la desse sonho e tira-las daqui.(virando-se para princesa) Princesa! As minhas estrelas estão contigo. Tu as levou do meu Céu.
A princesa - Não lembro de algum dia ter provocado um cataclisma cósmico de tamanha magnitude. Meu maravilhoso príncipe das águas.
O encantado - Sabes por que não lembras, anjo dos encantados!?
A princesa - Não! Meu amado majestoso!
O encantado - Porque na noite em que elas se foram, tu estavas muito ocupada com tuas maravilhosas meninices sedutoras, que nem percebeu que as raptou do céu.
A princesa - (Se insinuando) Você quer dizer do nosso céu, meu delicioso majestoso?
A amiga – Minha nossa!! A princesa perdeu o juízo!
O encantado - Sim, Uau-mari, nas noites enluaradas, costumo exercitar os meus improvisos poéticos para minhas queridas estrelas. E numa bela noite, eu estava fazendo exatamente isso, quando voce apareceu para tomar seu precioso banho, e quando cobriu-se com os véus de água, tu as raptou lá do céu para o teu corpo, e depois aprisionou-as nessa toalha. Voce não sabe o quanto procurei te-las de volta. E no dia em que fostes embora daquela casa, eu foi até lá, e entrei no quarto vazio onde jogastes a toalha, na esperança de encontrá-las e devolve-las novamente ao céu. Mas as minhas estrelas não estavam lá. Vi alguns brilhos no quarto, pensei que fosse algumas delas, mas não eram. Os brilhos vinham de pequenas frestas na parede de tua casa; frestas por onde tu poderias muito bem me observa, sem ser observada. E roteirizar teus deliciosos movimentos. És linda; sabes da força irresistível que tem as tuas formas. Mas agora tens que acorda! Não existe nada entre nós além das minhas estrelas.
A princesa - Se isso é um sonho majestoso, eu quero morrer sonhando. É o mais belo de todos que já tive!
O encantado - Fico feliz de saber, que no silêncio do teu universo, sentis algo por mim, que se sente atraída por mim, e de alguma forma buscou chamar minha atenção; despertar os meus desejos; dar-me prazer Uau-mari. E você realizou isso. Depois que vi você protagonizar varias vezes a mesma cena, achei curioso que essa toalha sempre enrolada da mesma maneira em teu corpo! Abrindo sempre do lado em que eu estava. Sei que não foram apenas maravilhosas coincidências. Com certeza sabias o que estava fazendo! Estou feliz por sentir algo por mim, por está aqui. E devolvi em sonhos, os prazeres velados que me proporcionou. Mas agora tens que acorda! Estais sonhando o maravilhoso sonho nas artes dos prazeres reais dos encantados! Mas não é o momento oportuno para extravasar nossos prazeres. Venha comigo!
A princesa - (Se aproximando do jovem) Sou a mulher mais feliz que você conhece, Te seguirei até onde quiseres. Te darei a minha vida, os meus sonhos, meus prazeres, tudo o que você me pedir.
A Amiga - Eu não acredito que a princesa está falando isso!
O encantado - O que quero de ti, transcende os mistérios das nossas lendas particulares, princesa. (Olhando para Uau-lú) Mas eu tenho um amor que vai além das estrelas, e me fez romper com as tradições do espelho e deixa-las entrar aqui. Mas agora tenho que tira-las e leva-las para o outro lado rio antes que seja tarde demais.
A princesa - Deixe-me tocar a maciez de tua mão.
O encantado – Agora não posso tocá-la, princesa! Dê-me está toalha para que eu possa tirá-la desse encanto.
A princesa - É só isso? Com o maior prazer! (Fazendo o gesto para tirar a toalha do corpo que cobri o corpo)
O encantado - (Segurando rapidamente a toalha) Não! Por favor, aqui não. Acompanhe-me! Vamos para o outro lado do rio que resolveremos isso!
A princesa – Sou sua escrava! Faço o que você quiser!
A amiga - O que você vai fazer com ela?
O encantado - Me espere aqui! Tenho que atravessa-la para o outro lado rio.
A amiga - E Para que queres a toalha?
O encantado - Preciso envolvê-la com essência de flores e água do rio, antes que a lua comece a iluminar o espelho.
A amiga - Pra quê isso?
O encantado - Para evitar que o pior aconteça, Uau-lu . Agora me espere aqui. E por favor! por nada nesse mundo toque nessas águas.
A amiga – Vixe! O que tem de tão importante nessas águas?
O encantado - São águas sagradas, elas podem lhe atrai.
A amiga – Quanto a isso, não se preocupe, eu não sei nadar, manterei distancia.

O encantado – Lhe agradeço. Esse poço é fundo e não tem onde se agarrar para sair, se caíres dentro dele.
A princesa - (caminhando para saída) Venha me florir! Meu anjo encantado.
O encantado - Já estou indo.(virando-se para uau-lú) Fique aqui!
A amiga - Vê lá o que você vai fazer!
O encantado - (Sorrindo) Não se preocupe. Ela esta em boas mãos.
A amiga - Eu não sei por que! Mais não consigo acreditar em você.
O Encantado – Fique aqui! Vai dá tudo certo.
A princesa e o jovem líder saem do espaço sagrado.(som de musica tensa. Flashes de relâmpagos e som de trovões ao longe) O jovem volta com a toalha na mão.
A amiga - (Olhando desconfiada para o jovem) O que você fez com a princesa?

Som de vozes se aproximando.

O encantado - Nada! Venha ! Tenho que leva-la até o tablado dos beija-flores. Lá estaremos seguros.
A amiga - Como assim, não fez Nada !!? E o que você está fazendo com essa toalha nas mãos? Tá na cara que aconteceu alguma coisa! Eu não vou lugar nem um com você! Eu quero sair daqui! Onde está a canoa?
O encantado - Canoa!?
A amiga - A canoa da rainha, que vocês usaram para atravessar o rio!
O encantado - Não usamos canoa.
A amiga - E como atravessaram o rio?
(ouve-se as vozes de jovens fazendo algazarra bem próximas).
O encantado - Os encantado podem fazer algumas coisas, que não posso revelar à você. Agora temos que sair daqui, Venha! A lua já está saindo.
A amiga - E dai?
O encantado - Os jovens vão já passar por aqui. E você não pode vê-los mergulhar no espelho.
A amiga - E por que não? O que é assim tão importante que eu não posso ver?
O encantado - Não complique mais as coisas, Uau-lú. Venha! Siga-me!
O jovem líder a pega pelas mãos e saem do espelho. Adentram o tablado florido. Ouve-se o som de jovens brincando e pulando nas águas. Aos pouco o som da algazarra dos jovens vai diminuindo, e tudo fica em silêncio. O jovem solta rapidamente a mão de Uau-lú.
A amiga - O que aconteceu? Porque essa pressa em soltar minha mão?

O Espelho dos Encantados - Final

O encantado – Eu não podia ter tocado em você. Vou até o espelho. Acho que evitei que o pior acontecesse.
A amiga - Estou sentido uma sensação muito estranha, eu não quero que você vá. Eu não estou gostando disso.
O encantado - Não fale assim. Estou com um mal pressentimento.
A Amiga – Eu estou com medo! Fique aqui comigo.
O encantado – O que foi que eu fiz!? Eu não podia ter tocado em você. Tenho que mergulhar nas águas sagradas enquanto a lua está saindo. Eu volto para atravessá-la.
A amiga - Tu sabias que tem alguns aventureiros morando do nosso lado rio?
O encantado - Eu sei!
A amiga - E não teme que eles nos conquistem?
O encantado - Não há motivo pra isso. Agora tenho que ir até o espelho enquanto céu está clareando.
A amiga - Eles são jovens, inteligentes e muito simpáticos, Majestoso.
O encantado - Mas, não são encantados, Uau-lú.
A amiga - São cheios de energia. E trouxeram umas porções de encantos, maravilhosas. Estão preparando uma revolução. Vai ter uma grande festa hoje noite. Espero que você vá.
O encantado -(Se movimentando para sair na direção do espelho) Eu vou estar lá! Agora tenho que ir até o espelho.
A amiga - É bom tomar cuidado com encantos românticos deles.
O encantado – O que você está querendo me dizer? Que eles são encantados como nós?
A amiga - Eles estão preparando a revolução dos poetas, suas porções de encantos incomparáveis. Acho que o reinado de vocês está chegando ao fim.
O encantado - (Parando de se movimentar. Voltando e se aproximando de Uau-lú) Que tipo de porções são essas, Uau-lú?
A amiga - Eu sabia que ias querer saber!
O encantado – Eu gosto de saber das novidades que esses bossais estão trazendo para o nosso reino. Que encantos são esses?
A amiga – São porções de sexto sentido, majestoso.
O encantado – Gostaria de confronta-las com o meu insuperável poder de encantamento Que porções são essas?
A amiga – Poesias, majestoso encantado!
O encantado - Ah! Minha criança inocente. E o que é poesia?
Amiga - É a essência dos florais apaixonados; o elixir dos amantes. O hálito dos deuses enamorados.
O encantado – Poesia, minha criança encantada! É como o vento; É pensar em movimento; Só frios raciocínios congelando fragmentos.
A amiga - Estais enciumado!
O encantado - Por tamanhas bobagens? Nunca!
A amiga - Duvido!? E poesias não são bobagens, as nativas adoram ouvi-las.
O encantado - O que chamas de Poesias! São partículas arredias; orbitantes embriagadas; apaixonantes apaixonadas; paralelas em choques; rotineiras passageiras; as vezes passam por onde ficam; as vezes ficam por onde passam; perambulando num eterno sempre aqui, bobos gráficos geométricos sem autonomia; motivos de traduções cômicas, no nosso reino dos encantados. E para não me alongar, Uau-lú! Quero que saibas que a verdadeira poesia ainda continua apaixonada por mim, e sempre vem aqui rondar ciumenta, fazendo banzeiros nas águas para distorcer os reflexos tão inspiradores quanto ela, que vê surgi ao meu lado no nosso magnífico espelho d'gua. Imagens como a tua, minha amada.
A amiga - Obrigado! Envaidece-me com tão saudáveis elogios, majestoso.
O encantado – Não me agradeça!Agradeça aos deuses que se apaixonaram por ti, e sobram em meus ouvidos esses graciosos galanteios.
A amiga - Beije-me!
O encantado – Há certas coisas que não posso fazer aqui, Uau-lú. Eu gostaria de beija-la, mas aqui não é o lugar.
A amiga - Mas somos livres para dar passos sigilosos, se quiseres!
O encantado – Eu não podia tê-la tocado.
A amiga – Tens alguma doença contagiosa?
O encantado – Claro que não!
A amiga – Então beije-me! Ninguém vai ficar sabendo.
O encantado - Tu sabes do sabor que tem um beijo as escondida, Uau-lú?
A amiga - Isso não é nem um mistério, majestoso!.
O encantado - Sabes das emoções que envolvem um momento assim? Qual o desfecho que pode ter um beijo dado desta maneira?
A amiga - Ah! Meu amado! Emoções são coisas Indizíveis.
O encantado - São inesperados os sentidos e os desejos que um beijo assim pode aflorar, Uau-lú!E eu tenho que ir até o espelho.
A amiga - ( Se aproximando do Jovem) E o que achas de sentir as emoções que envolve um beijo roubado, um beijo que pode ser correspondido, mesmo sendo dado de surpresa ?
O encantado –(Se afastando de Uau-lú) Não faça isso!Eu tenho que ir até o espelho, teremos bastante tempo pra isso. Agora eu tenho que ir.
A amiga – (Levantando a saía até o joelho de forma insinuante) Existe uns jeitinhos para realizar certos desejos!
O encantado – Ah! Que outras preocupações tem as mulheres, a não ser nos baratinar a cabeça e com isso nos proporcionar prazer?
A amiga – Descobri que só com uma certa dose de loucura podemos agradam os encantados, majestoso!
O encantado – Somos frágeis a certas coisas femininas. Mulheres realmente tem alguma coisa de loucas. E acredito que seja essa a razão que as leva a usarem tantos enfeites, de apreciarem simpatias, sortilégios de amor, essências aromáticas, os banhos de cheiro, de viverem moldando os cabelos com seus caprichosos penteados.
A amiga - É sensibilidade o que chamas de loucura, majestoso.
O encantado - Não Uau-lú! Tem alguma loucura na razão que as leva a usarem tantos artifícios para realçarem a beleza do rosto, a expressão do olhar, a cor da pele.
A amiga - Essas coisas os encantados nunca vão entender! O que estou querendo de ti é um simples beijo. Não as tuas preocupações em decifrar o indecifrável.
O encantado - Acredito que não farás nada para infringir os nossos compromissos sagrados, Uau-lú.
A amiga – Não brinque e nem duvide dos sentimentos de uma mulher, majestoso. Tu não sabes do que uma mulher é capaz, quando ela gosta de alguém. Tu mesmo reconhece; somos meio loucas, somos crianças crescidas, e tu sabes o que faz uma criança ser tão querida.
O encantado - Com certeza é o ar de loucura misturada com liberdade; a encantadora inocência transgressora que elas teem.
A amiga - A Liberdade natural que existe nelas, majestoso. É isso que faz com que perdoemos as criança com mais facilidade; Que perdoemos seus pecados; os seus deslizes infantis.
O encantado - Criança é criança. E assim como nos, são encantadas de nascença, por isso nos cativam.
A amiga -(Se aproximando do jovem) Por isso temos vontade de abraçá-las(se aproximando mais) de ama-las; de beija-las! Pois são sinceras, e teem uma saudável falta de juízo.
O encantado - Ah! Uau-lú. Eu não vejo outra saida, a não ser te levar para os jardins floridos do teu reino, e evitar que esse nosso maravilhoso sonho, mergulhem no silêncio do que é proibido entre nós. Tenho que tira-la daqui sem violar os deveres sagrados dos dos portais das águas na nascente da lua. Não posso demorar mais. Tenho que ir!(flashes de luz de relampagos. Som de trovões ao longe) Não saia daqui até eu voltar.
A amiga - Foi isso que me dissesse a ultima vez que ti vi descer o barranco. Vais sumir outra vez! É por isso estou puxando conversa. Não quero que se vá!
O encantado – É preciso! Volto o mais rápido possível! Me espere aqui. Não saia! Por nada nesse mundo!
O jovem sai na direção do espelho, Uau-lú esboça um sorriso inseguro e fica andando sozinha, de um lado para outro demonstrando impaciência. E então sai na direção em que o jovem líder seguiu.
O jovem lider está sentado na beira do espelho esperando as nuvens passarem em frente a lua. Uau-lú chega e fica escondida observando. A lua volta a clarear, O jovem levanta-se caminha e se atira nas águas do espelho. Depois que alguns segundo emerge um peixe Boto. Surpresa Uau-lú sai do esconderijo vai até a beira do espelho e grita chamando por ele. Um relâmpago corta o céu do espelho seguido de um potente trovão. O peixe vem até onde ela está.
VOZ EM OFF DO ENCANTADO - O que você fez? Não podia ter feito isso.
A amiga - Por todos encantos!!! Você se transformou num peixe!
O ENCANTADO - Sabes o que acabou de fazer? Você quebrou o meu encanto, Uau-lú!
A amiga - Me perdoe!
O ENCANTADO - Como posso perdoá-la!? Não existe perdão para o que fez.
A amiga - (chorando) Me perdoe! Eu não queria perdê-lo! Por tudo de mais sagrado! Perdoe-me!
O ENCANTADO - Agora você me perdeu para sempre. Vou ficar nessa forma de peixe, até quando só deus sabe! por que não me esperou. Por que você fez isso!?
E soltando um gemido triste, dá meia volta nas águas e desaparece nadando. Desesperada Uau-lú grita chamando por ele, e num ato de desespero atira se nas águas e fica se debatendo pedindo por socorro, raios e trovões explodem no céu do espelho d'gua. O jovem peixe vem até onde ela está e tenta empurra-la para fora. Não tem onde se segura na borda do espelho. A luta se segue até que ela pará de se debater, ficando apenas um dos braços fora da água, preso a margem do espelho.
Voz do contador de história – (Som de água sendo agitada) E na ultima tentativa de salva-la, O jovem encantado peixe boto nadou e saltou para fora da água girando no ar, na esperança de volta a ser humano e puxa-la de dentro da água do espelho(flash de relâmpagos mostram os movimentos do peixe girando nos ar e caindo na terra) mas seu encanto estava quebrado, e o jovem continuou em sua forma de peixe, se debatendo no seco, tentando ir em direção ao braço de Uau-lú. E aos pouco também foi perdendo as forças, e então também parou de se debater.
(Musica suave. As nuvens cobrem a luz da lua. Ambiente escuro. Relâmpagos mostram flashes de cena dos dois na escuridão da noite. Som de chuva caindo. Os relâmpagos vão ficando espaçados. Cessam os trovões. Um relâmpago forte ilumina o ambiente. O cenário está vazio. Escurece. Ouve-se o som de algo se movimentando nas águas As nuvens passam lentamente. A lua ilumina o cenário. O músico vestido de branco com chapéu na cabeça escondendo o rosto, dedilha o violão.
Músico – (Falando) Mulheres gostam de emoções fortes. (Cantando) "São mistérios do rio/ São mistérios das águas/ São histórias de amor/ Há muito tempo contadas"

FINAL (ESSE TEXTO AINDA PODE SOFRER ALTERAÇÕES).

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O ESPELHO DOS BOTOS ENCANTADOS

INICIO
(O músico contador de histórias está sentado num trapicho na beira de rio ouvindo o som das águas, pega o violão e começa a cantar)
Música - Uma noite / saía de canoa pelo rio
Do norte soprava um vento frio
E no silêncio de um remanso a gente ouviu
Um choro triste
Com um quê de solidão
De partiu meu coração
Por que choram as águas?
Por que choram as águas?
Fiquei a me perguntar
E o canoeiro me contou uma história.
(pára de tocar. Põe o violão de lado)
E ele começou assim:

voz em off - Sabe moço! A muito tempo vivia nessas águas, um fabuloso galanteador, conhecido como o jovem lider dos encantados, ele estava na beira do magnifico espelho d'gua fazendo os preparativos para o período dos enamorados das águas doces, quando a princesa Uau-mari e sua amiga Uau-lú apareceram de surpresa, e ele sem perde a pose as recebeu com um sorriso dizendo:

O encantado - Quem são as inspiradoras belezas que refletem nos encantos dos meus jardins espelhados?

A princesa - Sou Uau-mari, a princesa das amazonas, e está é minha amiga Uau-lú.

O encantado - Ouviste-me primavera! São as flores mais belas! Finalmente enviastes a mim.

A princesa - E quem é você ?
O encantado - Não é uma pergunta muito fácil de responder, Princesa. Mas... Entre outras coisas, sou conhecido como o jovem líder dos encantados.

A princesa - Então és tu o irresistível conquistador de quem nos falam as nativas!... O apaixonante inspirador dos jovens encantados das águas doces?

O encantado - Acho que estamos fora do período dos encontros sagrados, princesa!

A Princesa - Estamos! Majestoso.

O encantado - Sabes que é proibido as nativas passearem deste lado do rio, fora do período!

A princesa - O que temes!? Não és o inconsquistavel! Por um acaso te sentis ameaçado por nossas frágeis presenças?

O encantado - Pelo contrário! É uma agradavel surpresa; é um prazer ter a luz dos seus belos olhos iluminando-me na paz deste espelho.

A princesa – Então é em ti que os encantados buscam as inspirações para os seus maravilhosos galanteios!

O encantado – Não minha pequena encantada. Partes da fonte de nossas inspirações estão agora diante de mim. Mas diga-me! O que as trouxe até aqui, fora do periodo sagrado?

A princesa - A curiosidade de encontrar um encantado, e ver como se comportam antes do sagrado período dos acasalamentos.

O encantado - Não precisava vir até aqui. Vossa rainha podia lhe dá essa informação.

A princesa - Gosto de ver as coisas com os meus próprios olhos, majestoso. Quero mostrar para Uau-lú que os encantados não são tão elegantes como ela imagina que sejam; vou provar que são vulneráveis aos nossos encantos femininos; que não teem nada de inconquistaveis, como decantam os narradores de suas proezas poéticas amorosas.

O encantado - Me pareces segura do que estais dizendo!

A princesa - E estou, majestoso!

O encantado - Em que te apoias para fazer tal afirmação?

A princesa - Em alguns inusitados acontecimentos, meu jovem lider.

O encantado – Posso saber, ao que te referes?

A princesa - Por exemplo, já te vi na beira do rio, me flertando de forma discreta e desejosa, majestoso.

O encantado - Tem certeza disso?

A princesa - Tenho.

O encantado - Pois bem! Estamos num lugar mágico, aproveite! Aqui somos livres para dirimir certas duvidas, relembrar os eventos significativos que forem do seu agrado. Me sentirei honrado se puder esclarecer alguma coisa que por ventura tenha posto em duvida o comportamento dos encantados.

A princesa - E como podes fazer isso?

O encantado – Passea um pouco nos mistérios do meu espelho. Mergulhe comigo nas águas sagradas que compartilharemos do que desejares. Garanto que realizarás o mais amavel dos teus sonhos.

A Amiga – Não faça isso Princesa! Ele vai encantá-la!

A Princesa – (virando-se para a amiga)Não há o que temer Uau-lú. Eu sei lidar com esses românticos bajuladores.

O encantado – Então, viva o reino das águas! Temos uma deusa nos visitando.

A princesa - Viva! E espero que os mistérios do teu espelho, espelhe detalhes das verdades mas intimas que poem em duvida tua fama de respeitoso majestoso.

A Amiga - Não vá se arriscar, princesa! Tu não conhece esse jovem. Existem histórias muito estranhas a respeito deste espelho.

O Encantado – (Virando-se para amiga sorrindo)Estou encantado! Tens uma sábia prudente em tua acompanhia.(Virando se para a princesa) Mas és livre como a brisa que embala as flores. Será um prazer vê-la passear no espelho dos meus encantos.

A Amiga – É melhor Não lhe dá ouvido, princesa! Vamos embora daqui!

O Encantado – (Olhando para a princesa)Escuto a voz da razão ao teu lado... Sinto-me honrado em te-las na minha companhia. Sinto-me envaidecido em propor-me a cumplicidade de partilhar de tuas lembranças, minha princesa.

A princesa – Está vendo Uau-lú ! Os encantados são todos iguais, usam sempre essa imperiosa postura romântica para nos agradar. Mas o majestoso não sabe quais momentos pretendo relembra-lo. Se soubesse, com certeza mudaria essa postura de imponente inconsquitavel!

O Encantado – (Sorrindo) Esse sorriso em seu rosto me faz acreditar que tem lembranças agradaveis da minha pessoa. Será um prazer ouvir tua voz melodiosa detalhando os instantes graciosos que parece disposta a relembrar.

A princesa - O prazer será todo meu.

O encantado - Não se acanhe! Quero sentir-me acariciado por essas doces recordações, e quem sabe envolvido por esse manto de estrelas que brilham em teus olhos quando sorri.

A amiga – (Tapando os ouvidos) Por favor, princesa! Não fomos trazida aqui pelas nossas pernas, foi a força dos encantos dele que nos atrai até aqui.

A princesa – Não te preocupes com isso Uau-lú, eu sei onde estou pisando.(Virando-se para o jovem lider)E então, meu jovem encantado! sou livre para pormenorizar, ou guardamos em segredo certos detalhes reveladores dos prazerosos flertes aos quais me refiro?

O encantado - Minha encantada princesa! Antes de qualquer coisa, é bom que saibas que para cada encantado que nasce, nasce uma deusa encantada em tua tribo, que já vem predestinada a atrai-lo; desperta-lo para o mundo mágico dos relacionamentos amorosos. Desperta nele curiosidades. Curiosidades que vem do impulso instintivo infantil que existe dentro de cada um de nós. Instinto que fez com que em alguns momentos soltasse tuas saudáveis meninices sedutoras para deleite desse jovem nativo do reino dos encantados.

A princesa – Muito interessante essas tuas providenciais precauções discursiva, majestoso! Sabes muito bem do que quero falar. Tenho certeza essa postura inocente angelical irá por água abaixo diante de fatos singulares que nos envolve.

O encantado – Falas das graciosas maninices que me levaram a ver particularidades sultis que fazem parte do teu encantado universo feminino. Venha! Megulhe nos mistérios do meu espelho! vamos compartilhar de tuas saudaveis lembranças, garanto que ficaras satisfeita com o que te espera.
Amiga – (Um pouco nervosa) Princesa! Por favor, não! Ele vai encanta-la! Conheço as artimanhas dos encantados como a palma de minhas mãos.

A princesa – Calma Uau-lu! Quero saber em que particularidades dos nossos universos caminha o nosso jovem encantado.

O encantado - As fêmeas tem seus dengos, minha princesa. Tem suas manhas, teem por hábito nos chamar a atenção executando certas encenações exibicionistas, aparentemente despretenciosas. Coisinhas que fizeram-me descobrir as maravilhosas particularidades de que lhe falo.

A princesa - como o quê, por exemplo?

O encantado - Por exemplo, descobrir que o ser feminino já nasce com o divino dom de embeleza-se, sentem prazer em sentirem-se atraentes, desejadas. E enfeita-se é um de seus hábitos prediletos; um ritual sagrado que realizam diariamente; adoram vesti-se de forma elegante e confortável, buscando sempre as harmonias de tons primaveris, assim como fazem as árvores que brotam seus botões de flores, recheando de beleza e perfumes os ambientes onde se movimentam com um certo esmero.

A princesa - Tenho que admitir! Tens uma lábia perigosamente envolvente, majestoso. Mas navegas num trechos de muitos remansos, e mesmo que sejas esse decantado e irresistível conquistador, Podes ficar preso num desses remansos.

O encantado - É sempre um prazer rodopiar nos ondulantes banzeiros de aventuras que nos propocionam esses mistériosos rios femininos, agradeço aos céus pelas dádivas primorosas que encontrei nessas preciosíssimas correntezas.

A princesa - Não pode gabar-se de que nunca fostes visgado por uma bela fêmea, ou para ser mais direta, que eu nunca atrai os teus olhares desejosos, buscando contemplar minhas atraentes dádivas femininas, majestoso! Com certeza tu sabes onde moro!

O encantado – Sim, eu sei. E faltaria com a verdade se não dissesse que são incomparáveis as belezuras que te compõem.

A princesa – (Tom irônico sorrindo) É mesmo?

O encantado – Sim!Tens um magnetismo particularmente especial, minha princesa. Teus lábios são como doces fatias de frutas num convidativo e tentador pomar delicias; és como a porção do mais puro mel que costumo saborear nos meus solitários sonhos. Claro que já atraistes os meus olhares com teus movimentos elegantes. Com essa dança de cisne no espelho d'agua estrelado.

A princesa - És capaz de negar que já me viu em momentos um tanto mais íntimos!?

O encantado - Onde realmente estais querendo chegar, princesa! Posso saber?

A amiga – (Se dirigindo até a princesa a pegando pelo braço) Princesa, precisamos ir embora. Pelo amor que tens aos nossos sagrados lendários. Não faça isso! Vamos embora daqui.

A princesa - (Sorrindo virando se para a amiga e tirando a mão com a qual ela segura seu braço)Não tenho as fragilidades sentimentais de nossas nativas, Uau-lú. Estou aqui para desmistificar essa imagem de inabalável encantador do nosso jovem lider. E então, meu jovem encantado? Negas que já viu-me um tanto quanto desprotegida de minhas vestes?

O encantado - Não, minha princesa. Eu não nego, que já tive alguns flertes acidentais de cenas belissimas; cenas que sempre vão existir, enquanto existirem fêmeas encantadas como você; fêmeas que se especializam em conduzir com sutileza e maestria deliciosos espetáculos de sedução, que diga-se de passagem, são adoraveis quando recheadas com tuas belissimas formas.

A princesa - Ao que te referes?

O encantado - Aos detalhes que costumam nos levar aos compartimentos secretos e confortáveis dos nossos aposentos de fantasias, princesa.

A princesa - Dá pra ser mais claro, majestoso!

O encantado - É impossivel negar que és saborosamente tentadora quando solta essa criança crescida que existe dentro de ti, buscando atrair a criança crescida e curiosa que existe dentro de mim. Disponho aos teus prazeres, todas as delicias que fizestes jorrar com teus espetáculos provocantes. Nesse espelho posso satisfazer os mais sublime dos teus desejos.

A princesa - Sinto um tom meio suspeito no que falas. Mas será um prazer ver-te novamente me saboreando no aconchego dos teus sonhos. Se isso é for possivel nesse lugar.

A amiga – Ah! Pelos nossos lendários, princesa. Não faça isso, será o fim. A rainha não vai me perdoa por ter vindo aqui com você.

O encantado - Posso te dizer que dentro deste espelho, os desejos mais ardentes não podem serem reprimidos, princesa.

A princesa - Que bom! Então vamos ver o quanto fostes resistente aos meus dotes de criança tentadora.

A Amiga - Ah! Minha mãe das águas !! O que foi que eu fiz! Por favor princesa! Vamos embora.

O encantado - Algumas de tuas peças intimas podem serem expostas neste ritual de exposições sentimentais, minha princesa.

Amiga – Princesa! Por favor, não! Não foi pra isso que viemos aqui. Majestoso nos perdoe a invasão do ambiente sagrado. Não faça nada que possa deixar nossa princesa numa situação embaraçosa. Ela é só uma criança crescida, bricalhona.

A princesa – (Se voltando para sua amiga) Eu sei me defender Uau-lu! e para o seu governo, eu sei o que estou fazendo. No momento não preciso do teu nervosismo.(Se voltando para o jovem encantado) Quero fazer uma perguntinha ao majestoso!

O encantado - faça quantas quiseres.

A princesa - Lembras da janela de minha casa na beira do riacho?

O encantado - Sim, minha querida princesa, jamais poderia esquecer. Tenho boas e maravilhosas lembranças de tudo que vi através dela.

A princesa - Então espero que satisfaça a minha curiosidade. Mas antes, me responda com sinceridade! Algum dia já viu-me vestida em trajes menores, ou vestida com algumas de minhas confortáveis peças transparente?

O encantado - Claro que sim!

A princesa - (SORRINDO)Tudo o que te peço, é que sejas sincero.

O encantado - Enebria-me a pureza dessa vontade que enfeitas com esse sorriso angelical que usas para esconder tuas mais intimas intenções. És como um bichinho manhoso ronronando buscando um colo para sonhar acordada, princesa. Quero ve-la nadando livre nos sonhos; flutuando nos mais profundos dos teus sentimentos, és uma musa inspiradora dos encantados, podes vivenciar a independência única do seu ser; vivenciar os momentos de brilho solitário de tua estrela, sem limites; e sem sentimento de culpa usar do direito de sentir prazer em teu universo interior, onde ninguém pode alcança-la. Não precisas ter medo, aqui não traímos e nem somos traídos. Existimos e não existimos ao mesmo tempo, somos só sinais extra-sensórios encantados vagando no espaço. Eu sei que estais disposta a me conquistar; a quebrar o meu voto sagrado antes do período de acasalamento.

A princesa - Sim, Estou disposta a romper com certos costumes de nossas tribos, e te ofereço os meus mimos, que sei que tu tanto desejas. Pois, se assim não fosse, não me buscaria com teus olhares discretos, e evitaria usar esses teus maravilhosos galanteios fora do período sagrado.

O ESPELHO DOS BOTOS ENCANTADOS - I

O encantado - Há certas normas que aqui não podem serem violadas, princesa. E encantar é uma delas, isso faz parte do meu mundo. Mas aqui todos os nossos movimentos e diálogos um dia serão testemunhados, por todas tribos. Estais ciente disto?
A princesa – Estou!
O encantado - E Não te sentis intimidada com isso?
A princesa - Pelo contrário. Assim vamos por em duvida a originalidade dessa propotencia encantadora que tem o jovem encantado e todos que se espelham em vossa imperiosa alteza. Todos ficaram sabendo que os encantados não são invulneráveis aos nossos encantos fora do período de acasalamento, que fora desse período podem reviver os prazeres mais ardentes, e quem sabe até acasalar.
O encantado – Então vamos em frente, princesa. É pra isso que estou aqui, é por isso que sou lider. E para começar quero que vá até a outra margem do espelho. Que já já me encontro com você para vê até onde vai as vossas certezas.
A princesa se afasta, caminhando pela beira do espelho.
A Amiga – (Nervosa) Não vá mergulhar nessas nas águas, princesa!
A princesa – (falando para amiga) Não se preocupe Uau-lú. E você, por favor me espere aqui. E tome cuidado com ele!
O encantado – Não precisa ter cuidados, princesa. Não faço mal a um mosquito.
A princesa – (sorrindo) Na certa, por que são muito pequenos para cavalga-los, majestoso.
A princesa segue, e o jovem líder convida a jovem Uau-lú para senta-se a beira do espelho d'gua.
O encantado – (Se aproximando de Uau-lú) Me parece um pouco tensa! O que te preocupa?
A Amiga – Eu realmente não sei. Não conhecemos este lugar. E Isso que a princesa está fazendo, não está me perecendo certo. Nos só viemos dá um passeio desse lado do rio.
O encantado – Já teve contato com algum encantado?
A Amiga – Já conheci alguns de vocês. E voce não me parece estranho.
O encantado - O que achas dos encantados?
A amiga - Gosto do romantismo de vocês; das poesias oportunas, desse dom de nos fazer sonhar acordadas. Mas sempre evitei ter certos prazeres com vocês.
O encantado – Que prazeres?
A amiga – Tu sabes do que estou falando.
O encantado – Não! eu não sei. Mas falas como se esses prazeres fossem algo desprezível.
A amiga – Existem coisas mais interessantes que eles, mejestoso.
O encantado – Então diga-me que prazeres são esses para que eu posso evitar de procura-los enquanto estiver na tua companhia.
A amiga – Oh! quanta educação! Não te faças de bobo! Tu sabes as quais prazeres me refiro.
O encantado – Não a nada de errado em ter prazer, Uau-lú. Ter prazer é bom! Não concordas comigo?
A amiga – Mas é bom evitar certos prazeres, majestoso!
O encantado – Não há nada de errado em certo prazeres Uau-lú. São certas crenças que faz vê-los assim. O que dar Prazer, é, e sempre será prazeroso, independente das crenças que os reprimam. Censura-los não mudam nada, Uau-lú. O que dar prazer, será sempre um prazer; prazeroso!
A amiga - Esta querendo confundir minha cabeça. Majestoso?
O encantado – Não minha criança encantada! Mas vamos observa vossa princesa. Veja! Ela não sabe, mas antes de alcançar o outro lado do espelho, vai tocar o vestido nas águas do rio dos sonhos espelhados. Ai vamos vê um pouco do que ela gostaria de realizar e me mostrar como mulher.
A amiga - Tem um certo cinismo na tua fala, Ou é impressão minha?
O encantado - (sorrindo desconversando) Vamos observar nossa princesa, Uau-lú.

O vestido da princesa toca a água do espelho fazendo surgi uma nuvem de fumaça que envolve a princesa. (efeitos sonoros)Flashes de luzes, e a princesa desaparece.
A amiga – Minha nossa! O que está acontecendo? O que aconteceu com a princesa?
O encantado – Calma, está tudo bem.
A amiga – Para onde foi a princesa?
O encantado – Tenha calma, ela volta já.
Depois de alguns instante a princesa ressurgi com movimentos provocantes, vestida como a mais bela e sedutora das nativas amazonas. Entorno dela, variadas peças de roupas vão surgindo e desaparecendo em meio a nuvem. Entre as peças se destaca uma toalha brilhante, que gira suavemente, soltando brilhos.
A amiga – Princesa, que roupas são essas? Isso não são trajes para se apresentar diante de quem não tens intimidades.
O encantado – Ela não te escutar.
A amiga – Minha mãe das águas!! Você a encantou!
O encantado – Não. Isto é o corpo sensivel dos desejos dela condensado, manifestantando a imagem verdadeira dos comportamentos sensuais mais intimos que ela reprime.
A amiga – Está não é a princesa!? Você tá brincando?
O encantado – Não estou. Bom ! É a princesa, e não é ao mesmo tempo.
A amiga – Você está confundindo minha cabeça. Você a encantou!
O encantado - Não Uau-lú! Ela já estava encantada quando veio até aqui. Estamos num ambiente especial, mas fique despreocupada, ela não corre nem um risco.
A amiga - Ela já estava encantada quando veio pra cá!?
O encantado - E você também.
A amiga - Eu também? como assim?